It Moms

Como tudo começou…

mau junina

Muita gente diz que ser mãe é uma “tarefa” que começa tão logo você olha o positivo no exame. Não comigo. Eu acho que comecei a ser mãe quando decidi, aos (talvez) 8 anos de idade, que teria um filho até os 25 anos. Eu não sabia ao certo o que seria quando crescesse, mas certamente ser mãe estaria dentro daquele pacote todo de futuro. E no pacote incluía também uma carreira muito bem-sucedida, um marido bacana, um cachorro (ou dois, quem sabe) e uma casa com um gramado grande para o cachorro e a criança correrem felizes. Sim, aquela cena de comercial de margarina. Aí a menina de 8 anos cresceu…

Aquela garotinha de 8 cresceu e virou relações públicas. Cresceu e deu aulas de inglês. Cresceu e conheceu um cara, que vamos apenas chamar de “um cara” mesmo, sem nomes. Vocês entenderão mais tarde. E esse “um cara” parecia ser um cara legal. Apenas para a menina, agora mulher (no caso, euzinha). Para todo o resto do mundo aquele cara estava longe de ser um cara legal. Mas eu, óbvio, fui contra a maré de todo mundo e comecei a namorar aquele cara. E três meses depois (sim, você leu certo, três meses) eu engravidei. “Ai, foi sem querer”. “Poxa, que desgraça”. Frases que muita menina que engravida por aí pode falar, mas não eu. Eu engravidei por burrice mesmo. Entendam: há quase 9 anos atrás já sabíamos (e muito!) sobre anticoncepcional e camisinha. O que eu não sabia era ser uma pessoa regrada com isso. Aí é claro que entra a roleta russa…uma hora a gravidez poderia acontecer. E aconteceu.

Não vou discorrer muito sobre esse período da gravidez porque acho que rende assunto para outro post, mas é claro que não foi aqueeeeeela gravidez comemorada. É mais claro ainda que meus planos de menina de 8 anos de idade foram por água abaixo porque eu não estava nem no começo do que eu pensava de uma carreira bem-sucedida, estava longe de ter um marido bacana. Mas eu tinha a cachorra. Ou seja, 10% da minha vida bem planejada aos 8 anos. E tinha o filho (que com 16 semanas descobri que era a filha), que nasceria pouco antes de eu completar os meus 25 anos. Um plano de infância que (quase) deu certo. E eu já me via mãe. Eu curti minha gravidez mesmo não sendo ela a no momento ideal, nem com a pessoa ideal (longe disso). Mas eu curti. Porque eu me via mãe desde quando brincava de boneca. Eu me via mãe quando ajudava a minha mãe a cuidar do meu irmão. Me via mãe quando eu brincava com as minhas irmãs.

E aí veio a Madu…e jogou por terra tudo aquilo que eu acreditava sobre a maternidade. Óbvio que eu romanceei a maternidade quando era pequena. Ela não é tão fácil quanto eu imaginava. Não é tão simples. Eu brinco com as minhas amigas – e acho que é por isso que fui convidada para estar aqui no ItLife – que eu vivo a maternidade nua e crua. E passo isso para as pessoas que estão ao meu redor.

Ser mãe é maravilhoso? Com certeza. Mas é maravilhoso 100% do tempo? Bem longe disso. Tenho os meus dias de querer jogar tudo para o alto e ser apenas a filha e não a mãe. Tenho os dias que eu adoraria que ela estivesse em um acampamento de férias que durasse o mês inteiro. Tenho dias que eu adoraria ter aquelas 24 horas só pra mim e pra mais ninguém, sem telefone tocando, sem “manhêêêêêêê, perdi meu sapato” (que está, geralmente, na frente dela). Ser mãe te torna mais humana, você percebe a sua finitude, sem contar que você ganha uma TREMENDA responsabilidade. Falando a verdade nua e crua, quem garante que minhas atitudes com minha filha agora não podem gerar uma Suzane Von Richthofen no futuro? Parece trágico, mas é verdade… ser mãe é jogar no escuro e com ouvido tampado: você não vê e nem ouve nada sobre o lá na frente, mas precisa fazer a sua jogada agora, por sua conta e risco.

Aí depois de tudo isso vocês me perguntam: vale a pena? Minha resposta é uma só: vale. Muito. Tenha filhos. Mas acompanhe nossa coluna sempre para saber como é. Sem filtros, sem máscaras, de mãe para mãe (ou para todo mundo que pensa em ter filhos um dia).

Até a próxima!

Um beijo

Tati

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Tatiana Fanti

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