It Moms

#mexeucomumamexeucomtodas?

…ou sobre a tal da empatia.

Não é de hoje que a minha timeline no Facebook está repleta de mensagens de apoio e muitas (MUITAS) mensagens de crítica para uma mãe que participou de uma matéria sobre uma escola que oferece serviços de comida congelada, cabeleireiro, etc etc e tal para os seus alunos. A mãe em questão é uma advogada e isso é tudo que sabemos sobre ela (além de sabermos também que ela nunca, na vida, precisou fazer uma papinha de bebê). Uma advogada que tem um filho. Só isso.

Bastou uma frase e uma informação lançada em uma matéria para termos rolando por aí o julgamento. Julgam uma mulher que – sendo repetitiva, eu sei – sabemos nome, idade, profissão e idade do filho (sim, sabemos também que ela nunca, na vida, precisou fazer uma papinha de bebê). Alguém aí sabe se essa mulher tem marido? Alguém aí sabe se ela teve problemas com alguma babá e por isso essa criança foi para a escolinha? Alguém aí sabe se essa mulher trabalha 12, 14 horas por dia porque é do trabalho dela (e só dela) saia o sustento dessa criança? Eu não sei, mas confesso que não me faltou vontade de perguntar a ela.

Falamos tanto em união, tanto em feminismo, mas vemos mulheres julgando mulheres. Cadê a sororidade? Cadê o saber olhar e ver, de fato? Só serve na hora de defender a moça que sofreu o assédio pelo ator famoso? Só serve na hora de defender a menina que sofreu estupro coletivo? Creio que não, pelo menos não no meu conceito. A sororidade começa quando lemos uma matéria dessa e ao invés de pensar logo que “é mesmo uma mãe que larga a criança”, pensamos em “como deve ser difícil pra essa mãe não poder ter tido tempo de tentar fazer uma papinha”; ou “feliz é ela que pode não ter esse trabalhão”. Sem julgar. Sem apontar o dedo pra uma pessoa que sequer conhecemos.

Aí vocês me perguntam se eu sou parente da Madre Teresa. Não, não sou. Mas sou mãe solteira. Sou uma mãe que trabalha fora desde o primeiro mês e meio da Madu (e eu quis voltar a trabalhar porque ficaria louca se não saísse de casa e porque o convite para entrar em uma agência não poderia ser postergado para mais tarde). Não tive leite (sim, tentei todas as técnicas para descer leite e não, elas não funcionaram) e teve gente que disse que eu tinha preguiça de dar de mamar. Tive uma babá que morou em casa para que eu pudesse ter um tempo maior de trabalho e poder entregar o que o cliente pedia e sim, fui julgada por ter colocado uma pessoa morando na minha casa. Essa mesma babá bateu na minha filha (e obviamente foi mandada embora no mesmo dia que soube) e coloquei a Madu na escolinha. Mais julgamento: como você tem coragem de tirar a sua filha da cama quentinha todos os dias? Ou seja: somos julgadas se ficamos dentro de casa cuidando de criança. Somos julgadas se saímos para trabalhar todos os dias e levamos a criança para uma escola integral. Somos julgadas se tentamos deixar a criança na escola meio período. Somos julgadas até se a escolha foi não ter filhos. E o que é pior: somos julgadas por outras mulheres quando, em teoria, deveríamos entender um pouco a outra.

Ser mãe é um eterno auto julgamento. A gente mesmo se julga quando acorda a criança todos os dias 5h30 da manhã para poder levar pra escola. A gente se julga quando a criança fica com a gente no trabalho porque ainda tem coisa a ser feita ou entregue. A gente se julga quando perde o horário porque ficou acordada até de madrugada pensando em como resolver os problemas. A gente se julga porque não quer ser mãe pela metade mas, ao mesmo tempo, não quer deixar de ser uma pessoa. Então, minha gente, antes de apontar o dedo pra moça que nunca fez papinha de bebê, lembrem-se da empatia. Uma palavra que, acredito eu, pode começar a mudar o mundo.

Um beijo e até a próxima!

Tati

PS: Eu fiz papinha. Várias. Detestei.

 

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Tatiana Fanti

The author Tatiana Fanti

4 Comentários

  1. Convide essas mulheres que só sabem julgar pra viver 1 semana no seu lugar e tenho certeza mais que absoluta que o julgamento delas vai mudar rapidinho!!!

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