Comportamento

Não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje

O famoso ditado tem razão de existir. Afinal de contas, quantas não foram as vezes que você acabou deixando para depois aquilo que precisava começar, continuar ou concluir?

Esse  hábito, na verdade, tem nome. Chama-se PROCRASTINAÇÃO – pode não ser muito fácil de pronunciar a palavra, mas o conceito soa familiar: “A procrastinação é um COMPORTAMENTO NATURAL DO SER HUMANO, o qual todos nós estamos sujeitos a qualquer momento e, muitas vezes, nem percebemos”, explica Aretusa dos Passos Baechtold, psicóloga do Instituto Psicológico de Controle do Stress Dra. Marilda Lipp.

Alguns chegam até a se especializar na “ARTE DE PROCRASTINAR” e acabam se ENROLANDO COM PRAZOS a cumprir e metas a alcançar. 

O QUE É PROCRASTINAR?

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“Procrastinar é um verbo de origem latina que significa adiar, DEIXAR PARA OUTRO DIA, delongar, demorar, retardar”, esclarece a especialista. Segundo ela, o fato se tornou muito mais comum recentemente, em função da vida moderna atual: “VIVEMOS COM PRESSA, prazos cada vez menores e maiores volumes de tarefas a serem executadas, independentemente da faixa etária”. Esse desequilíbrio entre o comportamento natural de demorar, tomar o próprio tempo para fazer depois, e a ROTINA ACELERADA resulta, inclusive, em sofrimentos como o estresse, a culpa e a ansiedade, ela alerta.

SERÁ DESVIO DE PERSONALIDADE OU TODO MUNDO ESTÁ SUJEITO À PROCRASTINAÇÃO?

Um ESTUDO feito pela Universidade do Colorado (EUA) no ano passado encontrou indícios de que a procrastinação e a impulsividade estão ligadas às INFLUÊNCIAS GENÉTICAS. Também, se colocar os anos de evolução do Homem em cima da mesa, é possível concluir que nos tempos antigos não existiam muitas preocupações na mente, a não ser com a próxima refeição do dia. Desse modo, desenvolveu-se o costume de agir dando IMPORTÂNCIA AO QUE É URGENTE E NÃO AO QUE É PRIORIDADE. Por isso, se o fator concentração não estiver no máximo, a vontade de procrastinar entra em ação sem nem ao menos bater na porta.

A mente de um procrastinador de carteirinha tende a dar mais PREFERÊNCIA AO PRAZER INSTANTÂNEO que ao controle racional de qualquer ação.

Há, ainda, aqueles que conseguem reunir esforços e REALIZAR O QUE PRECISAM DE ÚLTIMA HORA. No entanto, a qualidade final da tarefa pode ficar bastante comprometida, vale ressaltar. A exacerbação dessa prática pode levar a prejuízos no dia a dia da pessoa, tanto no lado profissional quanto em casa. Mas, ainda assim, não será considerada um transtorno.

O HÁBITO que PODE SE TORNAR CRÔNICo, e só é percebido quando começamos a ter PROBLEMAS COM PRAZOS, pois levamos mais tempo que o necessário para cumprir determinada tarefa ou por demorar demais para iniciá-la. O que mais leva as pessoas àPROCRASTINAÇÃO CRÔNICA, de acordo com a TERAPIA RACIONAL EMOTIVO COMPORTAMENTAL – TREC de Albert Ellis – é uma forte EXIGÊNCIA DE PERFECCIONISMO”, ela conclui. Nesse sentido, a busca pela perfeição (que não existe, não custa reforçar) leva ao início do tema aqui exposto: protelação, retardação, delonga, adiamento e por aí vai.

COMO LUTAR CONTRA ISSO?

A consciência sobre a circunstância existe, na maioria das vezes. Mas, ao mesmo tempo que vem a preferência pelo mais aprazível, irrompe a culpa. ATÉ PORQUE A PROCRASTINAÇÃO OCORRE ATÉ COM ATIVIDADES DAS QUAIS SE GOSTA, devido à sensação de insegurança que elas podem gerar – a tendência maior é continuar na ZONA DE CONFORTO e, assim, seguir pela impulsividade natural de continuar nela. “O primeiro passo para enfrentar a procrastinação é DESISTIR DA IDEIA DE PERFEIÇÃO que leva as pessoas a crerem que haja uma única solução ou forma de resolver uma questão”, a psicóloga informa. “PROCRASTINADORES PASSAM MAIS TEMPO PLANEJANDO que executando as tarefas. Nisso se distraem ou se ocupam em organizar materiais, procurar modelos, tentar adivinhar o que o outro espera deles etc. Assim o relógio vai correndo”.

Ela sugere DIVIDIR AS OCUPAÇÕES EM OBJETIVOS MENORES e vencer um de cada vez. “O que ajuda na sensação de conseguir concluir etapas do trabalho é a técnica Pomodoro: o indivíduo deve fracionar períodos de tempo de 25 minutos (chamados de ‘pomodoros’), intercalando com intervalos de cinco minutos de descanso entre cada. Após quatro ‘pomodoros’, ele tem o direito de 30 minutos de repouso para, depois, retornar a uma nova sequência”, ensina. De qualquer maneira, é sempre importante DESCOBRIR A FORÇA QUE MOTIVA a seguir adiante, garantindo a CONSISTÊNCIA DA AÇÃO em busca do objetivo. Assim também é possível vencer a procrastinação e ganhar mais produtividade, quaisquer que sejam os seus alvos.

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Ana Cláudia

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